Temas diversos

O que uma trombose de veia retiniana pode dizer da saúde cardiovascular?

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

Não é infrequente pacientes virem para a consulta com cardiologista tendo sido referenciados por oftalmologistas. Em algumas situações, eles solicitam uma avaliação cardiovascular mais detalhada depois de um evento óculo-vascular, como por exemplo, trombose de veia retiniana. Mas, qual a relação entre estes eventos e a saúde cardiovascular?

Pacientes que sofrem de trombose da veia retiniana (TVR) apresentam maior risco de eventos graves como morte, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio, de acordo com um novo estudo de coorte retrospectiva. Utilizando a rede de pesquisa de registros eletrônicos de saúde TriNetX, os pesquisadores compararam 45.304 pacientes com TVR a um grupo controle de pacientes com catarata.

Os números impressionam: no período de um ano após o diagnóstico de TVR, o risco relativo (RR) de morte era 30% maior em comparação ao grupo controle (RR: 1,30, p<0,01). Esse risco se mantinha elevado mesmo após 5 anos (RR: 1,22, p<0,01) e 10 anos (RR: 1,08, p<0,01). O risco de AVC também aumentou significativamente, sendo 61% maior no primeiro ano (RR: 1,61, p<0,01) e permanecendo elevado ao longo do tempo. Em relação ao infarto, o risco foi 26% maior no primeiro ano (RR: 1,26, p<0,01) e 13% maior após 5 anos (RR: 1,13, p<0,01). No entanto, o risco de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) não mostrou uma elevação significativa.

Quais os pontos fortes desse estudo? Podemos destacar a grande amostra de pacientes, e o uso do pareamento por escore de propensão (Propensity Score Matching) usada para controlar as variáveis de base.

Por outro lado, destacamos que este estudo é gerador de hipóteses, pois temos algumas limitações, como o desenho retrospectivo.

De toda a forma, os resultados destacam a necessidade de uma avaliação mais detalhada e um acompanhamento melhor desses pacientes com história de TVR. Não se trata apenas de um problema oftalmológico, mas de um sinalizador para riscos graves de saúde que exigem acompanhamento e prevenção.

Referência:

Wai KM, Ludwig CA, Koo E, Parikh R, Mruthyunjaya P, Rahimy E. Risk of Stroke, Myocardial Infarction, Deep Vein Thrombosis, Pulmonary Embolism, and Death after Retinal Vein Occlusion. Am J Ophthalmol. 2023 Sep 1:S0002-9394(23)00352-5. doi: 10.1016/j.ajo.2023.08.022. 

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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